Multidisciplinaridades #1: dramaturgia e (pedo)psicanálise

Aqui faço um corte seco pra falar de Winnicott.

Ou, ao menos, do que eu aprendi com ele.

Segundo o pedo-psicanalista inglês, nascido ainda no século 19, um bebê de apenas alguns meses reinaugura a capacidade da inteligência humana a cada vez que sua mãe entrega pra ele um paninho fedorento ou um bicho de pelúcia, lhe dá um beijinho na testa e… simplesmente desaparece. Vai literalmente embora – dormir, trabalhar, ou  sentir outro tipo de prazer que não os da maternidade (atenção: aos maus entendedores, o que escrevi é exatamente o que vc leu).

Nesse momento, condenado pelo desespero mais aterrador que se conheça para a idade, o projeto de pessoa precisa ultrapassar a dependencia visceral e absoluta da mãe e, para sobreviver a sua ausência, não encontra nada melhor para fazer do que representá-la pela fralda encardida ou pelo coelho de pano, impregnados do cheiro familiar e apaziguador.

Linus

Conceituar. Uma maçã não precisa existir para q saibamos a maçã: ela existe no desenho, na palavra e até em representações mais complexas e simbólicas, como no odor, na cor, na ideia do pecado (que por si só, já é uma representação da representação). Ao ser capaz de criar o conceito da mãe, o recém nascido se empodera para representá-la, atribuir seu sentido às representações e guardar sempre sua mãe consigo, se tornando destemido e invulnerável…

E assim os homens das cavernas se tornaram mais potentes que o relâmpago e a tempestade, no momento em que pintaram nas paredes a representação desse relâmpago. Por que o que ele representa, ele domina.

Mais ou menos isso resume, do meu jeito, sua teoria do objeto transicional, mais conhecido como doudou, lala ou coelho da mônica: se a mãe não desaparece e o desespero não se instala, o esforço não se faz, o pensamento não se inaugura, a inteligência não é reinvetada. Sem a mãe necessidade, a ideia não nasce. No seu lugar,  atrofia emocional, miopia historica, disturbios de crescimento psíquico-social.

 

monica

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