Oxigênio: não dá pra simular

Falso filme comercial de um produto imaginário, Oxigênio, AR;
Parte de campanha publicitária, composta por 3 spots de 1 minuto.

FILME1 : A FLAMA

Uma vela ilumina os traços do rosto de uma jovem mulher apaixonada.
Close de uma mão de mulher que tenta em vão impedir o curso do ar, na forma de um suspiro.
A flama de uma vela, de luz vacilante. Um suspiro que passa, a flama se apaga.
Plano largo, composição de “Madeleine à la Veilleuse”, Georges de la Tour (1645).

SCRIPT E DECOUPAGEM

Fundo Preto.

NARRADOR
(off)
1645.
Madalena, …

Fade in. No mais aveludado dos negros, uma jovem, vestida com uma camisola de puro linho, está sentada, iluminada apenas pela luz de uma flama.

NARRADOR
(off cntd)
… entre todas as outras,
encarna a expressão da mulher amorosa.
Modelo do Amor Absoluto

O espectro vacilante da luz revela a frente de seu corpo, com uma caveira humana pousada entre sua mão e joelhos, …
(*plano de conjunto, composição Madeleine à la Veilleuse, de Georges de la Tour)

… assim como alguns objetos sobre a mesa ao lado do candeeiro: livros sagrados, um crucifixo rústico e um chicote, sobre os quais aparece a inscrição;

E, ASSIM, DESSA MANEIRA / ELA É, ELA VIVE, ELA MORRE / SUSPENSA ENTRE O CÉU E A TERRA

Fade, com inscrição:

SEPARADA DA TERRA POR SEU AMOR
SEPARADA DO CÉU POR SUA CARNE

Fade in, um traveling circular se inicia, ao som de batidas de um coração que obrigam o sangue a se oxigenar nos pulmões. Uma trilha sonora pop (Smoke City) se confunde com ao cântico sacro e lamuriante já presente.

Este traveling circular, em forma de espiral que se aproxima cada vez mais de Madeleine, e tende a se fechar em close do seu olhar melancólico, será entrecortado por detalhes do quadro, em forma de tilt up (panorâmica vertical baixo-cima):

Seus pés apenas perceptíveis, mergulhados na penumbra;
A mão delicadamente pousada sobre uma caveira humana que ela carrega em seus joelhos;
Suas roupas de linho desfalecidas que caem dos ombros, revelando um colo generoso e inerte;
Um rosto impassível de mármore que repousa e se deixa aprisionar na concha da mão;
Um olhar desprendido da vida e das coisas, que só faz sonhar.

Até que…

Algo acontece, num piscar de olhos.

E um espelho vem lembrar o reflexo das coisas, desta vida e das outras.
Pérolas desfiadas.

Um olhar que se desperta
Dedos que se agitam.
Lábios murmuram.
Narinas inflam, olhos se cerram
Mão vai buscar a consciência de o ser,
Se apalpa.
Ventre incontido, regaço carnudo
Corre atrás, por fora

Mas não tão ágil,
Incapaz de conter o que
Por dentro, já se produzia

(Ar, quem mandou o coração bater?)

Assinatura:

OXIGÊNIO: NÃO DÁ PARA SIMULAR.

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